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Title: O que sobrou da ditadura?
Author: O Diário de Riachão
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No sábado, dia 22 de março, foi realizada a Marcha com Deus pela Família e a Liberdade, evento convocado pela internet para protestar con...
No sábado, dia 22 de março, foi realizada a Marcha com Deus pela Família e a Liberdade, evento convocado pela internet para protestar contra o governo e pedir a intervenção das Forças Armadas na política nacional. O ato foi uma tentativa de reeditar a mesma mobilização ocorrida em 1964, momentos antes do Golpe Militar, que completa 50 anos em 2014.

Apesar da divulgação prévia nos grandes veículos de comunicação, poucos foram os presentes. A PM (Polícia Militar) estimou em 500 o número de participantes em São Paulo.

Em resposta, cerca de 1 mil pessoas, segundo a PM, caminharam, no mesmo dia, pelas ruas do Centro de São Paulo no evento batizado de “Marcha Antifascista”. O ato se dirigiu ao Largo General Osório, 66, onde fica o Memorial da Resistência.

Mesmo sendo um fiasco, a realização da manifestação pró-Golpe aponta para o fato de que ainda não há consenso na sociedade sobre o período da Ditadura Militar.

“Essas manifestações ilustram o grau de cultura democrática no país”, afirma Renan Quinalha, advogado da Comissão Estadual da Verdade. “Elas são vistas como sendo um exercício do direito à liberdade de expressão, mas na verdade são absurdas, são apologia aos crimes cometidos naquele período”, diz.

Busca por verdade

A presidenta Dilma Rousseff criou a Comissão Nacional da Verdade, que, instalada em 2012, busca apurar as violações de direitos humanos contra militantes políticos durante o período autoritário. No mesmo ano, a Comissão Estadual passou a funcionar, investigando os casos ocorridos em São Paulo.

A função da Comissão é consagrar uma versão oficial sobre a Ditadura, fazendo com que o Estado tenha uma posição sobre o Regime Militar. “Diversas interpretações sobre a Ditadura poderão continuar coexistindo, mas dentro de certos limites, que respeitem os direitos humanos e a democracia”, explica Quinalha.

Dificuldades

Maria Amélia Teles, integrante da Comissão Paulista, afirma que há diversos obstáculos nas investigações. A principal delas é a recusa dos militares em divulgar documentos pedidos. “As Forças Armadas têm as mãos sujas de sangue. Uma postura mais enfática do Estado brasileiro é necessária para exigir uma prestação de contas”, diz ela. “Somos o país do esquecimento, do faz de conta, da mentira.”

Teles, que participou da luta contra a Ditadura, afirma que os trabalhos da Comissão se baseiam, principalmente, no depoimento das vítimas do regime, como ela, que ficou presa entre 1972 e 1973. “O regime censurava, matava e estuprava. Nós lutávamos por educação, moradia, pela melhora nas condições de vida do povo brasileiro. Tudo que a Ditadura não garantia”, diz.

Para ela, há poucas chances de todos os casos de mortes e desaparecimentos serem esclarecidos, mas o resgate da memória e da verdade é uma necessidade de toda a sociedade. “Eles não morreram por eles, ou pelas suas organizações. Morreram por todos nós.”

>>> Entenda:

A original Marcha da Família com Deus pela Liberdade ocorreu em 19 de março de 1964, antecedendo o Golpe Militar, como uma resposta ao comício que o presidente João Goulart fez na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março, quando defendeu suas reformas de base para um público de 200 mil pessoas. O percurso na ocasião foi da Praça da República rumo à Catedral da Sé, centro da capital paulista, e contou com 500 mil pessoas. Há 50 anos, a organização coube à então primeira-dama do estado, Leonor de Barros, e mulheres de empresários, que participavam da União Cívica Feminina.

A Marcha Antifascista faz referência ao termo antifascismo, que era usado na década de 1920 e relacionado a um movimento político que se opôs ao fascismo, modelo de governo de Benito Mussolini, ditador que governou a Itália de 1922 a 1943. Hoje, o termo é usado por grupos e indivíduos ligados a ideias anarquistas, comunistas, socialistas ou libertárias para se oporem a regimes ou ideais totalitários e ditatoriais.

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